Etapas a serem seguidas até a realização do Implante Coclear

O implante coclear é um processo complexo que exige a atuação conjunta de uma equipe multidisciplinar (vários profissionais de especialidades diferentes) para que se alcance o sucesso do tratamento.

A equipe é composta por um médico otorrinolaringologista, um fonoaudiólogo e um psicólogo (todos os membros da equipe têm que ter especialização em implante coclear).

A avaliação do paciente candidato ao implante coclear é um processo complexo e pode ser demorado, pois existem etapas que devem ser obrigatoriamente seguidas e cumpridas para que seja conseguido o melhor resultado possível em benefício do paciente.

É muito importante que a equipe escolhida pelo paciente tenha experiência e estabilidade, devendo ser formada por profissionais comprometidos com a Instituição que trabalham, uma vez que o paciente implantado terá que ter apoio dessa equipe por toda a vida.

Profissionais isolados que não tenham equipe consolidada ou que sejam apoiados por empresas produtoras ou distribuidoras de implantes não são recomendados.

A equipe deve ter experiência no tratamento dos diversos tipos de surdez, com outras soluções, além do implante coclear, como adaptação de aparelhos auditivos, tratamento de outras doenças que afetam a audição, e não ser somente “implantadores”.

Como trata-se de um equipamento médico de alto custo, os pacientes e suas famílias devem estar atentos com propagandas e abordagens realizadas diretamente pelas empresas, sob a forma de encontros ou mesmo nas redes sociais, utilizando “embaixadores” ou pacientes implantados que apregoam que tal marca é melhor que a outra. Esta abordagem não é ética e pode induzir a uma escolha inadequada.

O ideal é que o paciente e sua família escutem a indicação da equipe que foi escolhida para fazer o implante, pois ela é a única que vai oferecer apoio durante toda a vida e responder pelos resultados do tratamento.

Avaliação médica


O paciente deve ser avaliado, inicialmente, pelo médico otorrinolaringologista para o diagnóstico da causa, do tipo e da gravidade da surdez.
O médico avalia se a causa que levou à surdez permite que seja realizado o implante coclear.
Também é importante que seja estudada a existência de outras doenças, pois o paciente deve ser avaliado como um todo e não apenas a audição.

Avaliação fonoaudiológica


A próxima etapa é a avaliação pela fonoaudióloga, que realizará testes auditivos, de linguagem e exercícios que prepararão o paciente para receber o implante coclear.
O tempo dessa avaliação é variável, pois depende da motivação do paciente. Ela é composta por:

–Avaliação do grau de surdez: temos que ter certeza que a surdez é mesmo profunda.

–Avaliação da adaptação do paciente com a prótese auditiva convencional: temos que ter certeza de que a prótese convencional já não é suficiente para atender às necessidades do paciente.

–Avaliação de linguagem emissiva (fala, uso de linguagem escrita e por meio de sinais – em pacientes já alfabetizados) e receptiva (realização efetiva de leitura orofacial, uso de linguagem escrita e por meio de sinais).

Quando algum destes aspectos não é satisfatoriamente atendido, o paciente pode ser encaminhado, a princípio, para reabilitação fonoaudiológica, e posteriormente é reavaliado.
Neste período, poderão ser necessários:

–Treinamento em leitura orofacial para crianças maiores e adultos : Este treinamento é essencial na fase pré-implante e muda significativamente o resultado final, quando bem realizado.

–Treinamento auditivo : melhora, muitas vezes, o desempenho do paciente com a prótese convencional, ou o resultado final com o implante.

– Terapia de estimulação de linguagem

Avaliação psicológica

É muito importante que sejam avaliados os aspectos psicológicos do paciente e das pessoas que convivem com ele no dia a dia. É imprescindível que o psicólogo avalie se o paciente está preparado para a cirurgia, se aceita o convívio com uma prótese implantada dentro da cabeça e se os familiares estão motivados e apoiam esta decisão (nós consideramos o apoio e a participação da família fundamentais).

Devemos avaliar também o grau de expectativa do paciente e se ele tem consciência dos resultados que podem ser atingidos. O paciente deve estar ciente de tudo o que está acontecendo e a equipe deve expor tudo de uma forma clara e sincera, pois nós acreditamos que uma relação de confiança mútua entre o paciente e a equipe seja fundamental. Por fim, o paciente é submetido a uma avaliação pré-operatória para que sejam avaliados todos os possíveis riscos cirúrgicos e para que a cirurgia seja realizada da forma mais segura possível.